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Ana CoelhoRetalhos das emoções Apresentação do nosso livro-Convite"Nuances.....de Um Silêncio a Dois" evento irá realizar-se no dia 20 de Fevereiro próximo, e conta com o apoio da Câmara Municipal do Alenquer. Esta apresentação está inserida na Feira do Livro a decorrer no Fórum Romeira em Alenquer, local onde será realizado o evento. A organização do evento estará a cargo da editora que contará com alguns momentos musicais e com as crianças presentes, irão ser desenvolvidas actividades pedagógicas por animadoras socioculturais, que estarão sob orientação de Cátia Costa. Gostaríamos de poder contar com a Vossa presença. Partilhamos convosco partes do prefácio escrito pelo Prof. Arlindo Mota PREFÁCIO Ana coelho e José Antunes: entre nuances, sonhos e cumplicidades Ana Coelho e José Antunes, são dois autores com uma envolvente e genuína pulsão pela poesia. Na escrita e nos gestos, que de gestos também se constrói a poesia. Buscam com paixão e rigor o segredo das palavras, que renovam sem cessar. Parcimoniosos na utilização de metáforas, optam claramente por não assentar na metrificação clássica, salvo uma ou outra incursão, num ou noutro poema. Conhecedores da herança lírica portuguesa, não se confinam ao formalismo e abordam a linguagem com criatividade, onde os temas do amor estão abundantemente presentes, mas também o psicológico e o social (sem cair no realismo) não são esquecidos e isso revela-se ao longo de todo do livro. A sua poesia, seguindo a moderna estética, constitui a verdade de um mundo sentido por uma subjectividade; o que ela diz é um mundo para o homem, um mundo visto de dentro, mundo singular e inimitável a que só o sentimento dará acesso. Falei até agora dos autores como se fossem apenas um: eles de alguma forma a isso nos conduzem, porque se apresentam juntos, face a se face, porque o livro constitui para eles a sagração dessa comunhão. Mas, em boa verdade, se muitos traços os identificam, outros os distinguem. Ana Coelho navega mais suavemente nas palavras, é, de algum modo, o lado assumidamente feminino do livro; José Antunes, de escrita comedida, apresenta mais arestas na leitura e na interpretação da sua simbologia. Comum aos dois, a contenção vocabular e arredia da adjectivação excessiva, que torna a sua poesia rigorosa e límpida, dotada de uma invejável coerência interna. O livro, por sua opção, apresenta-se dividido em cinco capítulos: “Momentos”; “Trincheiras de Sonho”; “Distâncias”; “Lampejos”; “Cumplicidades”. Janeiro de 2010 Arlindo Mota* ARLINDO PATO MOTA* é licenciado em Filosofia e em Direito, Mestre em Ciência Política, investigador Universitário, Escritor e poeta. Máscaras
Abraçados neste beijoAbraçados neste beijo
O céu coberto de branco Num manto de pureza Regado pelas gotas Do teu beijo húmido Encontro na minha boca Os abençoados lábios Pelo dom do amor
Do alvo rasga-se a chuva Desliza pelos corpos Ali imóveis Abraçados neste beijo Afogados pelas sensações Das bocas coladas Nas águas baptismais Deste firmamento Que cobre a paixão Da minha imensa razão
Ana Coelho
Dezasseis pétalasNo início desta década
Dezasseis pétalas em desfolhada Brotando deslumbramentos Que esvoaçam no alto dos sinais, Torres de sonhos para alcançar Neste novo limiar As andorinhas atingem asas Com desenhos de sorrisos, Na tranquilidade Que me fazes respirar, No folguedo da tua juventude Crescem átomos do tempo No cosmos colorido Em virtuosos sentidos Guarida de coragem Que os teus longos olhos Me fazem acreditar e confiar Um rio calmo com nobres comemorações Traços alegres com luz no rosto Simplicidade de menino Numa silhueta de homem Pétalas de primavera Entre folhas a absorver o sol Voo de colibri ao coração do meu ninho …Assim és tu, meu grande menino! Dedicado ao meu filho pelo seu aniversário.
Ana Coelho Diz-me
Longe de rumoresQuero viver a vida em amor
Sem fantasmas ou sombras Por de trás da claridade… Quero as tuas fantasias Na utopia das marés vagas, Beber contigo erguer a mesma taça… Quero, sim viver O esplendor do teu sol Em gemidos de risos Descobertos pela paixão Das nossas mãos unidas! Quero e Desfruto Do teu amor Distanciado de todos os rumores… Ana Coelho Vínculos
insignificanteÉ insignificante qualquer universo…
A vida é ténue Na singularidade colossal da fantasia, Toda a história é mera memória A junção de partículas… Interior fertilidade convém incorporar Na dimensão que o olhar atinge, A efemeridade ou a eternidade É débil o albergue da exuberância… Cascos ocos de pulsação… …São lágrimas o teor, Que fortalece as raízes Da robusta flor de lis… São tão frágeis os nadas Que se recolhe… São tão grandes os nadas Retribuídos… São poucos nada que nos fazem grandes… É insignificante qualquer universo…
Ana Coelho Horas de invernoSão horas de inverno
Bordadas em fios de prata Andrajos de puro linho… Na ponta afiada da agulha, …Juntura Teias guarnecidas Na varanda do peito… A alma absorve O branco da neve Em fios de luz Trespassados no arco-íris De terra em terra Com abraços perfeitos… São horas de inverno Que antecedem a primavera… Gravadas Nas artesãs mãos Do olhar alongado Que o firmamento vislumbra…
Ana Coelho http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=109461 É assim NATAL[foto do site olhares.com do autor Aires Osório]
É Natal As ruas iluminadas Em espelhos de luz O amor que se reproduz Em mil estrelas de alegria No calor dos sorrisos Vidas repletas de cor É a magia do nascimento É Natal São pedaços de Deus Pintados nos laços Do aparecimento sublime Jesus a voz viva do salvador Em glórias do divino céu Partilhas anunciadas Na conciliação que reina É Natal Tempo de fraternidade Em sopros de união No trono da paz em cada coração Erguem-se os símbolos De vigor e esplendor No mais íntimo sentido Do verdadeiro amor divino É assim o Natal… Renasce o autêntico sentido da vida… Feliz Natal para todos e que o Natal chegue a cada coração
Ana Coelho
Nos ombros do sonhoDebrucei o olhar
No parapeito do vórtice, Indistintas águas Alucinavam lá no fundo… Amortecidas cores de porcelana Despiam o brilho Na penumbra em luto, Indignos pensamentos Com os pés longe do altar… Nasce a noite Num parto estremecido No regaço de um manto estrelado. Breves instantes Que alugam o meditar… As pálpebras Reerguem-se Nos ombros do sonho, Espuma branca Que beija os pés… Irradiam flores misteriosas Vindas do céu… Nas mãos que nunca abandonam A esperança… Nos cantos da boca Rasga-se um sorriso de esplendor… Ana Coelho http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=109810 Tela em branco
Coração em sossego
Na ponta do sonho
Nuvem de desejoEncosta o teu corpo
Ao meu Na nuvem de desejo Que percorre o olhar… Desliza no ventre O teu fervor Na chama em ímpeto Que flui no peito… Entra Move flutuações do teu vento, Suavemente em jovialidade Cobre todo o afecto No grito dos corpos Em ânsias de prazer … Envolve-te Nesta barca que desce o rio Em galopes de agitação Graciosos sentidos Em fortes abraços no (a)mar... Escuta a ânimo Que agita o meu olhar Na silhueta do teu rosto, Os teus lábios abrigam os meus Na palpação das línguas em silêncio. Refugia-te assim em mim Neste abrigo que faz levitar Nas alas de um leito trajado de rosas Embriagado refrigério Que dá espírito aos corpos.
Ana Coelho
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=109466 Orvalhos em fios de ouroA madrugada
Deita-se na sombra do dia, Os olhos doridos Na ampla noite sem fim… Flamejam borrões vermelhos No firmamento Manchinhas frescas A crepitar… Turbilhões de vultos E escombros Estremecidos nos circuitos da vida… Gaivotas que choram Gritam… Imponderáveis fluidos, Esboços em movimento Esmalte caído Em cristais da lua… O mar reclama A voz estrondosa dirigida do céu …Crispadas ondas Afagam a praia Em lampejos contínuos, Vincos de sal Tatuados na esfinge Escura das duras rochas Semeadas no colo das águas, Feroz nas garras oceânicas… Os olhos nada vêem Olham de fora para dentro De dentro para fora, Nuas pupilas cansadas De nada no tudo Que se adivinha, Incerto futuro… Dormente e temido… Grilhões em suprema Suspensão Farrapos rasgados Nas labaredas do horizonte, Os joelhos encontram a poeira Em duas gotas de chuva, Abrem as mãos Entre o nevoeiro infinito… Orvalhos em fios de ouro Caem da eternidade… Ana Coelho Aguarela dos cosmos
A aurora desperta Na imensidão Do véu azul Emoldurado pelo Dourado solar… Azul verde do extenso mar Em reflexos transparentes, Contemplação celeste da mãe terra…
O universo respira azul Águas e cristais de luz, Tranquilidade Puro linho Embala o eterno sentir Aguarela dos cosmos Insígnia de serenidade… Pujança e louvor…
Azul pacífico azul Alimenta a alma Para além de todo o querer e ser… Pigmentação do amor Sobre rasgos de claridade Acolhe os sonhos das sereias Nas naus dos marinheiros Em portos inconstantes…
Ana Coelho
O medo
Percorre a silhueta A epiderme arrepia-se Ao som dos compassos …Fortes no fundo do peito Infiltrado em atadura Ao cimo da seca garganta…
Tremores Inquietações Na prisão dos sentidos…
Amarras Sem aroma Em dissabores da vida, Ofuscas emoções Em oscilações do frágil corpo…
Os ecos ressoam No íntimo vivido, Um frio da alma Que corre as veias…
Sombras de ser e não ser No medo De querer e não querer…
Ana Coelho
A última vez…O corpo oscila
Em marcas invisíveis Aos mais atentos olhares, Cambaleia Decaí Recomeça Na alma acende a esperança De uma última vez… Nas mãos bastiães Sem dó nem piedade Em intervalos de amor Palavras que matam e ferem Com lâmina afiada Numa guilhotina Apontada ao elo mais fraco… Goteja Em busca de explicação Na lógica do perdão… Desculpa na culpa Sem inculpa, Perto da paixão que um dia Sorriu num sonho Alongado ao futuro… Um dia mais… Agora é tarde Jaz em terras frias Num pesadelo terminado Em braços de cobardia Nos laços de coragem Que não conseguiu partir… 25 Novembro - Dia Mundial para a Eliminação da Violência contra as Mulheres Ana Coelho Inquietaçõesimagem : marian [mystic charm]
Cinzas do destinoAssim de repente
Termina esta viagem Num vento que consome o ânimo …Devora sem mácula. Tudo decai Em porções que não se embebem A utopia é mera filosofia No regaço do cansaço, Todas as palavras são meros acasos. No cume da chaga Tudo se encobre Na força que nos move… Um sopro de ópio Em ziguezagues Nestas veredas certas Mas nunca esperadas Muito menos preparadas… Constrange todas as artérias Em velocidade fugaz Relâmpagos envergados de escuridão Nas cinzas deste destino… Ana Coelho Contudo, sei lá!
Vapor roco dos dias
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